quarta-feira, 4 de maio de 2011

Desabafos



Agora me dei conta da grande mágoa que tenho. Histórias de amor alheia me ferem tão brutalmente que só de espiar, a depressão me acolhe. Eles não entendem como não ter fatos engraçados pra contar, defeitos pra me queixar, o abraço reconfortante, o sexo gostoso num dia extressante.

Só me resta, a meu último suspiro: sonhar, desejar, iludir. Decepções tão constantes e corriqueiras como o próprio abrir/fechar das pálpebras. Chega a ser insano cair naquele velho golpe tantas vezes, chega a ser cruel. Tonta eu, que se entrega pra qualquer alma errante atrás de um conforto instântaneo, momentâneo.

Não, eu não consigo ser totalmente insensível. Vez ou outra, inevitavelmente, eu me abro, me revelo. Como tantos outros, não perduram. Aprendi sim, a me tornar uma estação, a não sofrer na partida de mais um bonde.
Mas sabe, as vezes é porque eu não consigo ser só insensível.

3 comentários:

  1. Esse texto é aquele teu antigo que eu achei no teu caderno?

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. É, nem imaginava que você lembrava...

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se deram ao trabalho de ler